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Sobre a Biblioteca Rio-Grandense

Fundada em 1737, pelo Brigadeiro José da Silva Paes, e elevada à condição de cidade no ano de 1835, Rio Grande é uma cidade que abriga um porto natural de fundamental importância histórica, econômica e cultural para o país, de onde são importadas e exportadas grandes quantidades de mercadorias e produtos, além de receber, na alta temporada, transatlânticos com turistas oriundos dos mais diversos países do mundo. 

Além do porto natural, a cidade já foi a capital do Estado, e ainda é um importante polo industrial. 

Neste contexto está localizada a Biblioteca Rio-Grandense. Fundada originalmente como um gabinete de leitura, em 1846, a instituição abriga um acervo de mais de 500 mil itens, incluindo não apenas materiais bibliográficos como livros e jornais, mas também mapas, materiais audiovisuais, peças e artefatos históricos.

A biblioteca possui um acervo raro riquíssimo, com itens que datam do século XVI ao século XXI. Conta com uma coleção de jornais antigos de significativa importância para pesquisadores da história do Rio Grande do Sul, assim como uma coleção de livros sobre as mais variadas temáticas.
 
O acervo e o prédio da Biblioteca Rio-Grandense são tombados como patrimônio histórico e cultural do Estado e do município, através da Lei estadual nº 12.508, de 29 de maio de 2006, e do Decreto municipal nº 17.030, de 9 de março de 2020, respectivamente.

A proveniência no contexto da história do livro e das bibliotecas

Bibliotecas, museus e arquivos armazenam, preservam e disseminam informações sobre objetos que mudaram de mãos muitas vezes: doados, herdados, comprados, vendidos ou emprestados, sua trajetória revela importantes informações sobre seus usos e usuários ao longo do tempo.

Desvendar a origem destes objetos, sejam eles documentos, livros ou obras de arte, significa identificar de onde vieram e como chegaram até aqui.

Estudar os livros sob o prisma de sua materialidade demanda investir no conhecimento de sua história: conhecer a evolução dos materiais utilizados para a sua confecção, compreender quais foram as tecnologias e recursos utilizados na sua produção, conhecer seus usos no curso da história.

Os registros de proveniência em livros representam uma importante fonte de pesquisa sobre a história da cultura do livro, especialmente a história das bibliotecas e coleções e a história da leitura. A pesquisa sobre a forma e o conteúdo da marca de proveniência pode servir como fonte histórica para pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento. Estes indícios ajudam a mapear e documentar transferências culturais em diferentes períodos históricos.

Assim, identificar as marcas de proveniência presentes em um livro raro possibilita elucidar o percurso da obra ao longo do tempo e ajuda a conhecer preferências e modismos que, historicamente, influenciaram leitores, bibliotecas e coleções.

Sobre o Catálogo de Marcas de Proveniência da Biblioteca Rio-Grandense

O Catálogo de Marcas de Proveniência é um produto da pesquisa de mestrado intitulada Cultura Material e Proveniência Bibliográfica no Ensino de História: um estudo sobre os ilustres doadores do acervo raro da Biblioteca Rio-Grandense, desenvolvida pela pesquisadora Alissa Esperon Vian junto ao Programa de Pós-Graduação em História da FURG entre 2022 e 2023.

A partir da proposta de mestrado, as ações da pesquisa se expandiram e o projeto teve continuidade junto ao Proveniência: grupo de estudos e pesquisas em Informação e Memória, do qual a autora e pesquisadora já fazia parte desde a graduação.

O Catálogo de Marcas de Proveniência da Biblioteca Rio-Grandense propõe a identificação, digitalização e descrição das marcas de proveniência presentes nos exemplares de livros raros da instituição.

O projeto encontra-se registrado no SISPROJ/FURG sob o código EXT-2868. Para a execução da proposta, foi escolhido o software Omeka.net, na sua versão gratuita.